
Conselhos à minha filha
Nísia Floresta


Conselhos à minha filha foi a primeira obra autoral de Nísia Floresta, lançada em 1842, e é um dos textos mais bem-sucedidos da autora. Como o nome sugere, o texto foi escrito como conselhos da autora para a própria filha, desejando que esta seguisse o caminho que a mãe julgava prudente.
Neste período, o Brasil era um império comandado pela família real e várias revoltas separatistas estavam acontecendo por todo o território. Considerando o momento histórico, mulheres não possuíam participação ativa em nenhum setor da sociedade, estando restritas ao ambiente doméstico e à família. Apesar de a sociedade não acreditar na educação feminina, Nísia aconselha à filha a sempre estudar.
Sobre a autora e o livro:
Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, nasceu em 1810, em Parari, no Rio Grande do Norte. Filha do português Dionísio Gonçalves Pinto, advogado que veio para o Brasil no início do século XIX, e da brasileira Antônia Clara Freira, herdeira de uma das principais famílias da região. Devido ao trabalho do pai e sua origem, Nísia e a família precisaram se mudar muito e, com o início da Revolução Pernambucana, em 1817, as perseguições antilusitanas se tornaram maiores, forçando-os a se mudar para Goiana. Foi nessa cidade que Nísia iniciou os seus estudos. Segundo as tradições da época, meninas a partir de doze anos já estavam prontas para o matrimônio, sendo assim, em 1823, com treze anos, Nísia é forçada a se casar com um proprietário de terras, porém a união dura pouquíssimos meses. Após romper com o marido, Nísia é aceita novamente na casa dos pais. Essa atitude já demostra como a vida da autora seria, desde cedo, marcada por transgressões. Quando a jovem tinha dezessete anos, retornou para Olinda. Nessa época, sua vida sofreu uma reviravolta quando o pai de Nísia foi assassinado por membros da elite pernambucana. Neste mesmo ano, ainda vivenciando o luto, Nísia passou a morar com Augusto, juntos eles tiveram dois filhos. Ela foi acusada de adultério. Em 1832, o casal se mudou para Porto Alegre, porém, pouco tempo depois, Augusto faleceu, e Nísia se viu sozinha com dois filhos para criar. Ela procurou ajuda da família, que prontamente a recebeu, sua vida teve um período de calmaria até estourar a revolução Farroupilha, que a forçou a mudar de cidade mais uma vez. Nísia então se muda para a capital do Brasil Império, o Rio de Janeiro. No mesmo ano, 1838, ela funda o Colégio Augusto, que apresenta um currículo educacional revolucionário para a época, pois adicionou ao currículo das meninas matérias como ciências, matemática, línguas, história etc. Nísia foi professora e escritora em uma época extremamente patriarcal, em que as mulheres viviam presas à realidade do lar e às tarefas domésticas. Ela lutou pelo direito das mulheres à educação, ao voto e ao trabalho sem a necessidade de permissão do pai/marido, direitos esses que ainda demorariam cem anos para serem conquistados. O simples fato de acreditar que meninas pudessem estudar fez com que a autora fosse vista com maus olhos, criando a necessidade do uso de pseudônimos. Pode-se considerar a fundação do Colégio um marco, afinal, foi a partir dele que Nísia teve a chance de colocar em prática aquilo que sempre defendeu e idealizou. Tanto que, graças ao seu pioneirismo, ela é considerada a primeira educadora feminista do Brasil. Além de visionária na educação, Nísia foi uma grande escritora, tendo diversos livros publicados, tanto no Brasil como no exterior. Em 1849, Nísia mudou-se para a Europa com a família, alegando que sua filha precisaria de um tratamento de saúde, porém especula-se que ela precisou fugir de uma represália do governo brasileiro. Em 1853, Nísia lançou o seu segundo livro: Opúsculo Humanitário. A narrativa recupera a história da condição feminina, relacionando-a com o desenvolvimento intelectual do país e o local ocupado por mulheres naquele momento. A autora faleceu em 1885 e, por muito tempo, sua figura seguiu sendo vista como emblemática. Nísia marcou a história do nosso país pelo apoio e luta à educação feminina, sendo um grande símbolo de que as mudanças sociais são possíveis se acreditarmos e lutarmos para isso. Atualmente, o município em que ela nasceu carrega o nome de Nísia Floresta. Sobre Conselhos à minha filha Conselhos à minha filha foi a primeira obra autoral de Nísia Floresta, lançada em 1842 e é um dos textos mais bem-sucedidos da autora, possuindo edições em francês e italiano. Como o nome sugere, o texto foi escrito como conselhos da autora para a própria filha, desejando que esta seguisse o caminho que a mãe julgava prudente considerando a época em que viviam. Nesta época, Brasil era um império comandado pela família real e várias revoltas separatistas estavam acontecendo por todo o território. Considerando o momento histórico, mulheres não possuíam participação ativa em nenhum setor da sociedade, estando restritas ao ambiente doméstico e à família. Apesar da sociedade não acreditar na educação feminina, Nísia aconselha à filha a sempre estudar. Em algumas passagens, os conselhos parecem ser contraditórios, o que só demonstra como a autora percebia as limitações de ser mulher naquele período. Para Nísia, a tarefa da mulher no mundo era árdua, desse modo, ela compreendia que a formação feminina deveria abranger várias frentes, como a educação moral, religiosa e intelectual. Na obra de Nísia percebe-se um contraste entre a permanência do sistema vigente e a ruptura com os moldes antigos, fazendo-nos compreender que a autora enxergava nas mulheres a capacidade de ocupar espaços ainda não permitidos para elas, mas, ao mesmo tempo, a aceitação de que elas deveriam cumprir com as tarefas que já lhes eram direcionadas, como o cuidado da casa e da família. É importante lembrar que, para ler Nísia Floresta com a dimensão correta de sua importância para a história brasileira e para o feminismo do país, é preciso se desvencilhar do que acreditamos hoje. Não podemos, de forma alguma, cometer anacronismo e esperar concepções que demoramos mais alguns séculos para conquistar. Nísia é pioneira e revolucionária por compreender, dentro de sua sociedade, que a mulher podia e merecia ter acesso às ciências e à educação formal, sendo esse o primeiro passo para um país mais igualitário e justo. A edição publicada pela Galuba Editorial teve a gramática atualizada para o novo acordo ortográfico de 1990 e a linguagem adaptada para os tempos atuais.




